Marcio Cunha

Como configurar VLAN em switch gerenciável via cabo serial

Aprenda o passo a passo prático para configurar VLANs em switches corporativos usando a porta de console e comandos de linha de comando (CLI).

Marcio Cunha•4 min
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Resumo
  • A porta de console e o cabo serial garantem acesso direto ao switch mesmo sem conectividade de rede prévia.
  • O uso do PuTTY permite interagir com a interface de linha de comando padrão da indústria de rede.
  • A criação de VLANs lógicas isola o tráfego de diferentes departamentos para maior segurança operacional.
  • As portas de acesso atendem a dispositivos finais enquanto as portas trunk transportam múltiplos fluxos.
  • O salvamento correto da configuração na memória não volátil evita a perda de dados após reinicializações.

Por que usar a porta de console para configurar switches

Quando compramos um switch gerenciável de rede corporativa, o equipamento vem sem endereçamento IP configurado e sem regras de segurança. Na prática, isso significa que a única forma segura e direta de acessar o sistema operacional interno do dispositivo é conectando um cabo físico na sua porta de console dedicada, geralmente identificada como 'Console' ou 'RS-232'. Essa conexão serial ignora qualquer falha nas placas de rede comuns e permite o diagnóstico mesmo quando o equipamento foi completamente desconfigurado por engano.

Para realizar esse procedimento na bancada, você precisará de um computador com uma porta serial tradicional ou, mais comumente hoje em dia, um adaptador de USB para porta serial, além de um cabo adequado como o RJ-45 para DB-9 ou USB tipo console. Antes de iniciar qualquer configuração avançada de redes e infraestrutura de servidores, é fundamental dominar o acesso direto via linha de comando para evitar surpresas em manutenções críticas.

Estabelecendo a conexão serial e abrindo a CLI

Com o cabo de console conectado fisicamente entre a porta USB do seu computador e a porta serial do switch, o próximo passo é abrir um programa de emulação de terminal. No Windows, o software mais utilizado para essa tarefa é o PuTTY, enquanto em sistemas Linux ou macOS ferramentas nativas como o screen ou minicom cumprem perfeitamente o mesmo papel técnico com alta confiabilidade.

No software de terminal, você deve selecionar o tipo de conexão como 'Serial' e ajustar os parâmetros de comunicação padrão da indústria, conhecidos como configuração de porta serial. A velocidade padrão costuma ser de 9600 ou 115200 bits por segundo (baud rate), com 8 bits de dados, sem paridade e 1 bit de parada (8-N-1). Ao abrir a sessão e pressionar a tecla Enter, o switch responderá solicitando suas credenciais de acesso ou exibindo diretamente a interface de linha de comando (CLI) do fabricante.

Criando e nomeando VLANs no sistema operacional

Uma VLAN (Virtual Local Area Network) divide fisicamente uma única infraestrutura de switch em múltiplos domínios de broadcast lógicos. Na prática, isso impede que o tráfego de dados do departamento financeiro cruze livremente com o tráfego de convidados ou de impressoras, melhorando drasticamente o desempenho e a segurança geral da rede corporativa.

Para criar uma nova VLAN através da linha de comando, precisamos entrar no modo de configuração global do switch e executar os comandos específicos do sistema operacional, como o IOS da Cisco ou similares. A seguir, veja um exemplo prático de comandos executados no terminal para criar a VLAN 20 e atribuir um nome descritivo a ela:

enable
configure terminal
vlan 20
name Financeiro
exit
exit

Esse procedimento simples cria o registro lógico da VLAN no banco de dados interno do equipamento. No entanto, a rede só funcionará corretamente após associarmos as portas físicas do switch a essa nova rede virtual, separando o tráfego conforme as necessidades operacionais da empresa.

Configurando portas de acesso e portas trunk

A atribuição de portas é o momento em que definimos o destino físico dos cabos de rede que saem dos computadores e roteadores. Existem dois tipos principais de portas que precisamos configurar com atenção cirúrgica: as portas de acesso (Access Ports) e as portas de tronco (Trunk Ports). As portas de acesso conectam dispositivos finais, como computadores e telefones IP, pertencendo a uma única VLAN específica.

Já as portas trunk são utilizadas para interligar switches diferentes, carregando o tráfego de várias VLANs simultaneamente através de um único cabo físico utilizando identificadores chamados tags. Para configurar uma porta física como acesso pertencente à nossa VLAN 20 criada anteriormente, utilizamos uma sequência direta de comandos no terminal:

configure terminal
interface gigabitethernet 0/1
switchport mode access
switchport access vlan 20
end

Caso você precise conectar outro switch a essa mesma porta para expandir a infraestrutura, a porta deve ser convertida para o modo trunk, permitindo que todas as VLANs criadas trafeguem sem gargalos entre os equipamentos. É importante verificar se há compatibilidade com o protocolo padrão IEEE 802.1Q, utilizado universalmente para marcação de pacotes em redes corporativas modernas. Para complementar essa implementação em produção, vale conferir também nossas análises técnicas sobre Como testar o fusível térmico da fonte com multímetro e Npm travando? Como limpar o cache e corrigir erros no Windows.

Validando as configurações e salvando na memória permanente

Após executar todos os comandos de criação de VLAN e associação de portas, o trabalho técnico não está totalmente concluído. Se você reiniciar o switch neste exato momento sem salvar as alterações, todas as configurações recentes desaparecerão porque residem apenas na memória volátil (RAM) do equipamento.

Para garantir que a configuração sobreviva a quedas de energia ou reinicializações programadas, precisamos gravar o arquivo de configuração atual na memória não volátil, conhecida como NVRAM ou flash interna. Abaixo está o comando padrão utilizado na maioria dos switches gerenciáveis corporativos para efetivar essa gravação definitiva:

copy running-config startup-config

Com a gravação concluída, utilize comandos de verificação como 'show vlan brief' para conferir se todas as portas estão associadas às suas respectivas redes virtuais de forma correta. Manter esse rigor técnico evita falhas de conectividade e garante uma infraestrutura de rede resiliente, estável e pronta para atender a demanda de qualquer ambiente corporativo.