Marcio Cunha

Como configurar failover no Mikrotik com rotas recursivas

Aprenda a implementar redundância de internet em roteadores Mikrotik usando rotas recursivas e check gateway ping para alta disponibilidade.

Marcio Cunha•4 min
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Resumo
  • Rotas recursivas resolvem o problema de operadoras que mantêm o modem aceso mas sem internet real.
  • O uso do Check Gateway Ping monitora destinos externos para decidir a mudança de rota.
  • Configurar prioridades com distance garante que a conexão principal volte assim que normalizar.
  • Diagnósticos de rede complementares ajudam a isolar falhas físicas antes de alterar o roteamento.
  • Testar o ambiente desconectando o cabo físico valida a eficácia do failover automático.

Por que o failover tradicional falha na prática

Quando configuramos duas conexões de internet em um roteador, o cenário ideal é que a rede mude automaticamente para o link reserva se o principal cair. No entanto, o método básico de monitorar apenas o roteador da operadora costuma falhar porque a linha telefônica ou o cabo de fibra até a central pode se romper enquanto a luz do modem continua verde. Na prática, isso significa que seu roteador acha que tem internet só porque está conversando com a caixinha da operadora, deixando toda a rede local offline. Para resolver esse problema de inteligência, precisamos olhar além do primeiro salto e testar a conectividade real com a internet.

O conceito de rotas recursivas no RouterOS

As rotas recursivas funcionam como um detetive que investiga se o destino final realmente responde, em vez de confiar apenas no primeiro intermediário. No sistema operacional do Mikrotik, o RouterOS, dizemos ao roteador que para alcançar um endereço IP público na internet — como o DNS do Google 8.8.8.8 —, ele deve obrigatoriamente usar o gateway da operadora principal. Se esse endereço remoto deixar de responder aos piques de teste, o roteador entende que o caminho perdeu a validade e desativa aquela rota automaticamente. Antes de aplicar regras avançadas de roteamento, vale a pena garantir que sua infraestrutura básica esteja limpa, conceitos que também abordamos quando aprendemos como diagnosticar perda de pacotes e latência alta com o mtr para entender a saúde real dos links.

Passo a passo para configurar o link principal com ping recursivo

Para colocar a mão na massa, vamos configurar o link principal de internet forçando a checagem recursiva por meio de um endereço IP confiável na internet. Suponha que seu link principal esteja na interface ether1 e use o gateway IP 192.168.1.1, enquanto o link reserva (backup) esteja na ether2 com o gateway 192.168.2.1. O primeiro passo é criar uma rota estática para um IP de teste, como o 8.8.8.8, apontando para o gateway principal, e depois criar a rota padrão usando esse mesmo IP de teste como escopo de checagem. Para isolar problemas de endereçamento e garantir que sua rede interna não misture tráfego indevido durante testes de bancada, é fundamental manter a organização lógica, um cuidado semelhante ao como configurar VLAN na porta do switch e isolar a rede para evitar vazamento de pacotes.

Abra o terminal do seu Mikrotik ou acesse o WinBox e execute os comandos abaixo para estruturar a rota recursiva do link principal. Certifique-se de substituir os endereços de gateway pelos IPs reais fornecidos pelas suas operadoras de internet:

/ip route add dst-address=8.8.8.8 gateway=192.168.1.1 scope=10
/ip route add dst-address=0.0.0.0/0 gateway=8.8.8.8 check-gateway=ping distance=1

Configurando o link de backup e a prioridade de retorno

Agora precisamos configurar a segunda rota para o link de backup, que assumirá o tráfego caso o link principal pare de responder aos testes de ping no endereço 8.8.8.8. Como atribuímos a distance igual a 1 para a rota principal, o link de backup deve receber um valor de distance maior, como 2, o que o torna uma opção secundária na tabela de roteamento. Na prática, isso significa que o roteador sempre vai preferir o caminho mais curto e rápido, recorrendo ao backup apenas quando o principal falhar completamente. Além disso, quando a conexão principal se restabelecer e voltar a responder aos piques, o roteador recupera a rota primária de forma automática e transparente para os usuários da rede local.

Insira o comando abaixo para configurar o link secundário com uma distância maior, garantindo que ele funcione estritamente como redundância:

/ip route add dst-address=0.0.0.0/0 gateway=192.168.2.1 distance=2

Testando e validando a alta disponibilidade

Depois de aplicar as configurações, o teste definitivo consiste em simular uma queda real desconectando fisicamente o cabo de rede do link principal da porta ether1 do Mikrotik. Assim que o cabo é removido, o roteador envia pacotes de teste para o IP 8.8.8.8 através daquele gateway, mas como não recebe resposta, o parâmetro check-gateway=ping marca a rota como inalcançável. Em poucos segundos, a tabela de roteamento se atualiza e o tráfego passa a ser encaminhado pelo gateway secundário configurado na ether2. Essa transição ocorre sem intervenção humana, garantindo que sistemas críticos e usuários continuem navegando sem perceber a interrupção na origem. Para aprofundar esses conceitos na prática em produção, confira também nossa análise técnica sobre Como testar diodo Schottky na placa com multímetro.

Considerações finais sobre redundância em roteadores

Implementar rotas recursivas no Mikrotik transforma uma infraestrutura residencial ou corporativa comum em um ambiente altamente resiliente contra falhas de operadora. Embora existam protocolos mais complexos de balanceamento de carga e múltiplos gateways, o failover recursivo resolve a grande maioria dos cenários de indisponibilidade com baixo consumo de processamento do roteador. Manter o monitoramento ativo e testar periodicamente a integridade física dos cabos e conectores garante que sua rede permaneça blindada contra surpresas indesejadas no dia a dia.